O melhor do livro "Enquanto ele dormia"

Já estava no pórtico quando a porta se abriu, empurrada pelo vento. Daisy não a trancara? Entrou, travou a porta, e no mesmo instante um cansaço violento o acometeu. A sala parecia vazia, iluminada apenas pelas chamas quase apagadas da lareira. Com certeza Daisy já fora dormir. Através de uma porta viu a cozinha; através de outra, uma cama.
Tirou as botas, tentou acender o abajur sobre o consolo, mas o mesmo não funcionou. A queda de energia explicava a tempe¬ratura fria da sala, ele concluiu. Colocou mais lenha na lareira. Quando as chamas começaram a devorar as achas, ele virou-se.Foi quando a viu. Daisy Hanover dormia profundamente no sofá, enrolada num cobertor, e com o aspecto inocente de um anjo. Seus cabelos curtos espalhavam-se pela almofada, contornando-lhe o rosto como uma auréola dourada. Logan, automaticamente, foi para perto dela. Ia tocar-lhe os cabelos, mas afastou a mão.
Se a tocasse, não pararia por aí.O conhecimento do fato o assustou.Examinou com cuidado o rosto de Daisy. Iludira-se uma vez, lembrou-se. As aparências enganavam. Não aprendera a lição com Lucy Farnsworth?E não fora ele lá apenas para descobrir o que aquela mulher sabia sobre a morte de Eddie Maplethorpe?Mesmo assim, relutava em acordá-la.
Estava exausto tam¬bém. Seria melhor esperar até o dia seguinte.Pensou em carregá-la à cama e ocupar o lugar dela no sofá. Mas Daisy ficaria mais quente perto do fogo.E achou que seria melhor não tocá-la. Foi quando ouviu a música de novo. O mesmo som, que agora parecia vindo do quarto. Porém, à medida que se aproximava, não ficava mais alto. Estaria imaginando coisas?Não. Ele sacudiu a cabeça. Era um truque do vento, não de sua mente. Estava cansado. O trajeto no jipe e a caminhada pela mata apenas aumentara sua exaustão. E agora necessitava dormir.Entrou no quarto e logo viu a cama. Despiu-se, colocou o revólver na mesa-de-cabeceira, e entrou embaixo das cobertas.De manhã conversaria com Daisy Hanover. Teria suas respos¬tas e voltaria para casa.Daisy acordou devagar, como se gradualmente flutuasse à superfície vindo de águas profundas. Ouvia a música. A música que as sereias cantavam para atrair os marinheiros. Abriu os olhos brevemente, fechou-os de novo. Ainda estava escuro. De¬sejou mergulhar no sono de novo, mais uma vez ficar sob as águas. Sonhar de novo.Seu sonho parecera tão real! Estivera bem apertada nos braços dele. O corpo do homem era mais firme e mais inflexível do que imaginara. Ficaram tão juntos um do outro, tão juntos, que ela podia sentir o calor do hálito dele contra seus lábios. Provara-os. Sentira a pressão do polegar sob seu queixo, levantando-o. Mesmo quando a beijara, soube que não estava sendo beijada e que era ela quem beijava Phillip. Mas, estranho, os olhos de Phillip não eram azuis.Lançando mão de toda sua força de vontade, Daisy conservou os olhos abertos mais uma vez. Agora não os fechara. E reco¬nheceu que aqueles olhos azuis eram os do homem do elevador.
Respirou devagar para se acalmar. Fora somente um sonho. Não havia razão para pânico.Afastando o pensamento que a agitara, concentrou-se em detalhes: o ar frio, a suavidade das almofadas do sofá sob a cabeça, o cobertor contra sua pele. E a música. Estava bem fraca agora. Precisava descobrir de onde vinha. Mas precisava antes de tudo pensar na artimanha que tia Angela lhe ensinara para afastar pesadelos.
Exceto que agora não era um pesadelo. Não era! O homem do elevador entrara em seus pensamentos várias vezes durante o dia. Seria bem natural que lhe aparecesse em sonhos. Con¬tudo, não poria nenhuma interpretação freudiana nisso. A ver¬dade era que nem mesmo pensaria em seu imaginário James Bond se tivesse conseguido persuadir Phillip a ir com ela.Fora, o vento soprava forte fustigando as paredes da cabana e sacudindo as vidraças. O aroma da madeira queimada au¬mentou de repente. O fogo sumira mas... Daisy tornou a olhar para o abajur sobre a mesa. Poderia jurar que o deixara aceso; porém, estava apagado. Apertou o botão para acendê-lo. Nada.Primeiro a nevasca, agora a falta de energia elétrica. E ela que fora a Catskills à busca de romance!Não, Daisy pensou com súbita clareza. Ela fora a Catskills atrás do verdadeiro amor.E, se havia alguma chance de que a cama do outro quarto tivesse poderes mágicos, era melhor que fosse para lá.Levantou-se do sofá e dirigiu-se ao quarto. Tateando com as mãos, pois a escuridão era completa, encontrou os pés da cama e a banqueta. Bocejou quando subiu e entrou embaixo das cobertas.A cama estava quente, como se alguém a tivesse deixado assim para ela. Daisy bocejou uma segunda vez quando se agarrou aos travesseiros. Talvez ela fosse uma boa menina e sonhasse com Phillip.Ou talvez ela fosse uma boa menina e sonhasse com Ja¬mes Bond.Logan foi apanhado num sonho entre o sono e a vigília. Mal ouvia a música agora, que flutuava em volta dele como um sussurro suave. Sentia o calor dela e o perfume o seduzia. Desde o primeiro instante no elevador, não conseguira bani-lo de sua mente. E agora o envolvera a ponto de ele não poder mais respirar sem aspirá-lo.Quando a tocou, achou a coisa mais natural do mundo trazê-la para perto de si. Quando Daisy suspirou, o desejo per¬correu seu corpo como um rio quente.Deslizou ponta dos dedos pela linha do pescoço dela, algo que desejara fazer do minuto em que a tocara na cama. Fi¬nalmente podia agora explorar a curva do seio, a delicadeza da cintura e toda a extensão da coxa. Bem devagar repetiu a viagem exploratória, saboreando o contraste entre a seda fria da camisola e o calor da pele.Quis aproximar-se mais, porém preferiu não se apressar. Não poderia, de qualquer maneira. Sentia o braço pesado, pa¬ralisado quase, como em geral acontecia em sonhos. A pele de Daisy era ainda mais suave do que imaginara.Nunca fora um amante paciente. Mas com ela, era melhor que o fosse, pois percebia que apenas o som de um suspiro acenderia uma chama em seu sangue. O simples palpitar da veia do pescoço sob seu polegar o fazia queimar de desejo.Quando não pôde mais resistir, não mais controlar sua fome, ergueu-lhe o queixo e encostou os lábios nos dela provocando-a. Mesmo quando o cérebro exigiu que se apressasse, resolveu esperar, contornando os lábios de Daisy com sua língua para que nunca se esquecesse da forma deles. Eram tão suaves, tão úmidos! Quando se abriram, Logan finalmente pressionou a boca contra a dela.Voltava ao sonho, Daisy pensou ao aceitar o beijo. Podia ouvir de novo a música que ouvira antes. Mas... o corpo junto ao dela parecia tão real! Quisera tanto beijá-lo assim, ardera em desejo de pressionar-lhe os lábios contra os seus... Tentara antes ima¬ginar como seria. Mas não chegara nem perto da realidade!A boca do homem era suave, muito mais do que sonhara. E o sabor a intoxicava, como algo forte e proibido. Mergulhou a língua à procura de mais, e um prazer liquefeito penetrou-a. Nunca antes sonhara com algo assim. O corpo pressionado ao seu era tão firme, o desejo tão forte! Não queria abrir os olhos para verificar se sonhava ou não. Não queria que o homem de seu sonho desaparecesse.O que queria de fato era que ele continuasse beijando-a naquele ritmo vagaroso, como se tivesse todo o tempo do mundo e pretendesse usá-lo bem. Havia muito desejo naquele carinho. Daisy podia senti-lo na ponta dos dentes que pressionavam seu lábio inferior, na pressão dos dedos firmes em sua nuca. E a própria fome aumentou como para acompanhá-lo.Agarrando-se aos cabelos do homem de seu sonho posicio¬nou-se em cima dele, como se houvesse sido convidada. Mais uma vez ele a tocou por inteiro. Firmes, suas mãos moviam-se vagarosamente, parecendo querer memorizar cada centímetro de seu corpo, os seios duros, a curva dos quadris, a suavidade da parte interna da coxa. Quando os dedos chegaram lá, massageando-a, Daisy sentiu-se estremecer.Arqueando o corpo, convidou-o a acariciá-la mais. Desejava que ele conhecesse bem cada parte por onde seus dedos passavam, que se lembrasse dela, que a quisesse sempre. Como poderia ter adivinhado que as mãos de um homem pudessem proporcionar tanto prazer?! Quando ele penetrou-a com o dedo, seu prazer chegou ao auge. Foi como se tivesse explodido em mil partículas.Logan segurou-a bem junto a si, absorvendo cada tremor, cada batida acelerada de seu coração. Esperou que os bati¬mentos voltassem ao normal e a respiração se estabilizasse. Depois sussurrou-lhe ao ouvido:
— Toque-me.
Daisy não tinha certeza se fora ele quem dissera aquelas pa¬lavras, mas ouvira-as, como ouvia a música que suas veias can¬tavam enquanto o acariciava. Queria memorizar-lhe o corpo, como as mãos dele memorizavam o seu. Passou a mão pelo rosto do homem, bem devagar. O reconheceria agora onde quer que fosse.E a boca... Precisava prová-la de novo. Com a língua con¬tornou-lhe os lábios, absorvendo todo o prazer possível. Em seguida escorregou as mãos por todo o corpo dele, pressionando-o, possuindo-o.
Logan a desejava loucamente. Daisy podia sentir isso no modo como os músculos firmes enfeixavam-se em suas palmas, no modo como a respiração ofegava. Um sonho não poderia ser assim tão real. Poderia? Mas... a realidade jamais lhe trou¬xera tanto prazer! Ela estava segura, contudo, de que se lem¬braria daquela experiência para sempre.Lembrar-se-ia de cada sensação separadamente. Do modo como o corpo másculo tremia sob o seu. Das batidas aceleradas do coração quando a beijava. Da pressão das mãos firmes quan¬do agarravam suas nádegas para pô-las embaixo dele...Por um segundo apenas abriu os olhos, e viu-se presa na profundeza de surpreendentes olhos azuis. Sabia ser aquele o homem que sempre desejara.Quando o homem a penetrou, foi ainda como se sonhasse. Mas agora a música seguia um ritmo mais rápido. Os gemidos dele misturavam-se aos seus. Boca contra boca, corpo contra corpo, os dois moviam-se como se fossem um só. Ele tinha consciência apenas de uma única suavidade, de uma única energia. A dela. E sabia que estavam chegando ao fim da jornada. Por um momento lutou contra o tempo, tentando segu¬rá-lo, desejando que o prazer se prolongasse. E naquele mo-mento sua mente ainda lutou, tentando separar o sonho da realidade. Mas era tarde demais.Daisy abraçou-o convulsivamente, estremeceu de prazer. E Logan, enterrando os dedos nas coxas sedosas, penetrou-a com força. E o gemido dele foi quase inumano...


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