A Boa Sorte :: Recomendação + Entrevista de Alex Rovira Celma

Realmente é um livro fantástico que eu recomendo a todos. Este livro relata uma fábula que desvenda os segredos da bem-aventurança. Se você sempre acreditou que a sorte é uma questão de acaso, este livro vai fazer você rever este conceito e trará uma grande transformação em sua vida. Nesta fábula de linguagem cativante e inspiradora, há uma lição simples mas profundamente significativa; a sorte nada tem a ver com um acontecimento fortuito - cabe a nós criarmos as condições para que ela aconteça em nossa vida. Esta fábula mostra como criar as condições favoráveis para que a boa sorte chegue a você mesmo nas circunstâncias mais difíceis. Se você ainda não leu essa magnífica fábula, não perca mais tempo, trata-se de um livro pequeno, uma leitura rápida, de menos de 200 páginas. Rápida porém fascinante. Eu me emocionei com a história.
Pesquisando na internet eu achei uma entrevista com um dos escritores da Boa Sorte, encontrei no site Bons Fluídos e resolvi postar a entrevista que o site teve com o Alex Rovira Celma. Para o consultor e escritor espanhol Álex Rovira Celma, a sorte existe, mas difere da boa sorte. A sorte é dependente do acaso, diz. Já a boa sorte depende de nossa capacidade e vontade de criar as circunstâncias para que ela apareça em nossa vida. Veja abaixo a entrevista:


Bons Fluidos – Você diz que há dois tipos de sorte, a sorte do acaso e a de criar circunstâncias. Como isso funciona?
Álex Rovira – Não sei como é no Brasil, mas na Espanha falamos de sorte e de boa sorte. A sorte depende essencialmente do acaso e não de você. Conversei com muitas pessoas que ganharam na loteria e, no máximo em sete anos, perderam tudo – o prêmio, seu próprio patrimônio e os laços afetivos. Penso que a sorte é um estado de consciência. A sorte pode ser má sorte e ainda mais: é efêmera, pois não depende de você. E a boa sorte é a atitude mediante a qual você decide ser causa da criação de circunstâncias. Sem negar a existência do acaso. É trabalhar para criar as circunstâncias sem renunciar à responsabilidade pelas mudanças.

BF – Mas você admite que há a sorte gerada pelo acaso?
AR – Não posso negar. Outro dia, em um vôo, um raio atingiu o avião, entrou pelo bico e saiu pela cauda, provocando uma luz e um estrondo incríveis. Quando tudo passou, pensei: todo mundo ia rir se anunciassem que a conferência sobre a boa sorte foi cancelada porque o palestrante morreu em um acidente de avião! Em outro vôo, o trem de aterrissagem se rompeu na hora do pouso. Sorte que havia um campo de barro em frente.

BF – O azar também existe?
AR – Sim, mas há dois tipos de azar. O azar do raio que cai no avião ou da pedra na qual tropeço. Mas também há pessoas que procuram o azar. Por exemplo, outro dia uma pessoa me disse que havia gostado muito de meu livro, mas que tinha azar e deu alguns exemplos. Comprou de última hora o traje para uma festa e, quando saiu vestindo a roupa, estava chovendo. Trabalhou todo ano para passar férias em uma praia do Pacífico e, uma vez lá, choveu durante duas semanas. Sua casa foi assaltada três vezes em um ano. “Sou uma pessoa de azar”, disse ele. Respondi com várias perguntas: “Por que não consulta a previsão do tempo e vê se amanhã não vai chover? É possível saber também pela internet o tempo lá no Pacífico. Por que você não fez isso antes de viajar? Sua casa tem um sistema de alarme anti-roubo?” Ele me disse que não. “Então, não precisamos dizer mais nada”, concluí. Pois o azar é o que certamente vai ocorrer se você não fizer nada para evitá-lo. O que quero dizer com isso? Que há pessoas que se resignam. Não digo que podemos mudar toda nossa vida, mas, pelo menos, podemos não nos resignar.

BF – Você acredita que, no mundo de hoje, há mais cavaleiros negros, que se resignam e esperam a boa fortuna, ou cavaleiros brancos, que criam as circunstâncias para que a sorte ocorra?
AR – Creio que dentro de cada um de nós há um cavaleiro branco e um negro. Se o mundo não está pior, é graças aos cavaleiros brancos...

BF – O objetivo do livro é despertar o cavaleiro branco dentro de cada um de nós?
AR – O escritor francês Honoré de Balzac (1799-1850) dizia: “A resignação é um suicídio cotidiano”. No livro, Merlin é uma metáfora da voz interior de cada um e pergunta: “O que você está fazendo com a sua vida?”, “Você está desperdiçando sua vida?” Diante dessa voz que chama, poderá aparecer o cavaleiro negro ou o cavaleiro branco. Repito: e todos temos os dois dentro de nós. O cavaleiro branco é a criança interior, e nele residem a ilusão, o amor pela vida, a fé, a confiança, o olhar inocente. Se essa criança interior morre, perde-se toda a esperança. O livro fala para essa criança interior, que por muito tempo ficou esquecida.

BF – A primeira pessoa que ouviu a fábula foi sua filha de 7 anos. O que ela achou?
AR – Que era a história mais bonita que eu já havia contado. Há uma frase que diz que as fábulas são escritas para que as crianças durmam tranqüilas e para que os adultos despertem inquietos.

BF – O que aconteceu em sua vida pessoal para que você se voltasse para esse foco?
AR – Há oito anos, um grande amigo morreu de enfarte. Isso coincidiu com a gravidez de minha mulher. Quando morre alguém jovem, com filhos, uma mulher apaixonada, você não entende mais nada e necessita dar algum sentido à vida. Comecei a me perguntar muitas coisas, pois ia ser pai, e iniciei um processo de psicoterapia. Isso me levou a estudar psicologia. Outro fato relevanta foi este: no Natal de 1999, jantando com amigos, um deles comentou que havia sido promovido no trabalho, que tudo ia muito bem. Outro do grupo comentou: “Você teve sorte”, como se dissesse que ele não merecia aquilo. Achei essa frase um insulto! Naquela mesma semana, lendo uma biografia do cientista alemão Albert Einstein (1789-1955), me deparei com a seguinte frase: “A sorte é uma função da qual desconhecemos os parâmetros”. O que chamamos de sorte é algo que podemos explicar se entendemos os motivos que a provocaram. Não sou físico, gosto de psicologia e, em meu trabalho de consultoria, me dedico a falar com muitas pessoas. Ocorreu-me perguntar a 800 delas, durante quatro anos, por que acreditavam que tinham sorte ou azar. Com base nesse material, ficou claro que a boa sorte depende de uma série de variáveis, que são as chaves expostas no livro.

BF – Quais são?
AR – Há dez chaves, mas, na realidade, são cinco os princípios básicos, comuns às pessoas que têm a boa sorte:
1. São responsáveis por sua própria vida. Se algo não funciona, em vez de acusar alguém, responsabilizam a si mesmas e se perguntam o que poderiam ter feito consciente e inconscientemente para provocar essas coisas em sua vida.
2. São pessoas que não vêem o erro como algo que se deve ocultar. Elas aprendem com ele e o transformam em algo positivo, sem sentir vergonha.
3. São muito perseverantes. Se caio, me levanto e sigo andando, e assim por muitas vezes. Dentre as pessoas com quem falei, 80% das que tiveram um projeto fracassado na primeira vez não voltaram a tentar de novo. Das que o fizeram, e novamente fracassaram, 98% não tentaram uma terceira vez. Somente 2% persistiram depois de três fracassos. Só os capazes de se levantar quatro, cinco ou seis vezes após quedas consecutivas podem fazer as coisas dar certo. Sempre conto uma história que li numa biografia de Thomas Edison (1847-1931), o cientista americano inventor da lâmpada. O descobridor não teria sido ele, mas um certo Joseph Swan, que ninguém conhece, só fez quatro protótipos e depois abandonou a experiência porque achava que não daria em nada. Edison realizou mil testes, e todas as lâmpadas estouraram. O chefe do laboratório e toda a equipe, então, disseram a ele: “Senhor Edison, não se sente derrotado depois de mil ensaios sem sucesso?” Ele respondeu: “Não me sinto fracassado. Testamos mil maneiras diferentes de como não fazer uma lâmpada”. Esse é o espírito. Foi no teste de número 1043 que ele obteve sucesso. É emocionante!
4. Outro elemento importante é a confiança, a fé. Muita gente me diz ter tido sorte ao superar o câncer, a falência empresarial, o abandono de uma pessoa querida. O que às vezes parece um revés da vida é a maior das fortunas. Depende muito da perspectiva. As pessoas que criam a sorte têm a capacidade de se distanciar: sorte ou azar, quem vai saber? Em vez de dizer “preciso ver para crer”, dizem “preciso criar para ver”.
5. E, sobretudo, o amor. Se você não gosta si mesmo, não há sorte.

BF – Por que o amor é a essência da sorte?

AR – O amor é uma postura diante da vida e uma maneira de ver o mundo. Se você não tem amor-próprio, não confiará em você mesmo e não poderá confiar no outro. Quem se respeita tem energia, força e coragem e vê o erro como aprendizado. Assim tudo se move com base no amor. Acredito que as pessoas ganhem o que acreditam que merecem. Ou se ainda não chegaram lá podem pedir um aumento. Se for negado, cabe a você ter a coragem e criar a chance de repetir o pedido. Isso tem muito a ver com a confiança em si mesmo, que vem do compromisso – e tudo isso vem do amor.

BF – Você acredita em destino?
AR – Acredito que cada ser humano é capaz de superar seu destino. Evidentemente, há circunstâncias dificílimas. Se alguém da Nigéria ou das favelas ler essa fábula, o mínimo que pode provocar é uma reação de cinismo ou ironia. Mas o que acontece? Em nosso ambiente e nossas circunstâncias, em que temos formação e informação, dizer que o destino está escrito é uma covardia. Nem o nosso nem o dos que vivem na miséria estão escritos.

BF – Você crê em milagre?
AR – Sim. O milagre é o nome que damos à manifestação de um desejo profundo, que parece impossível até que se torne realidade. As pessoas que realizaram grandes coisas para a humanidade o fizeram porque não pensavam que era impossível. Onde está o milagre? Está no amor, na confiança. Tudo o que nos rodeia foi antes imaginado por alguém. O seu gravador, o papel, a colher, tudo. Mesmo você e eu fomos imaginados no coração de nossos pais. Portanto, a fórmula mais poderosa é: imaginação + desejo = realidade. Sem desejo de mudança, não há realidade. Sem imaginação, não há realidade. A realidade é a soma dos dois. Em nível macro, a realidade é a imaginação pelo desejo de Deus. Em nível micro, nossa realidade é resultado de nossa imaginação e de nosso desejo. Se renunciarmos a qualquer componente da equação, não haverá mudança.

BF – Tem mais sorte quem se arrisca mais?

AR – A vida ou é uma aventura ou não é nada. A psiquiatra suíça Elisabeth Kübler Ross, maior especialista mundial em doentes terminais, em seu apaixonante livro A Roda da Vida (ed. Sextante), perguntou aos pacientes: “Se você pudesse recomeçar sua vida, o que faria?” A maioria das respostas foi: “Me arriscaria mais”. O risco é, na verdade, nossa temida felicidade. Muitas vezes pensamos que arriscar significa atravessar um muro de pedra de 2 m e, quando nos aproximamos, nos damos conta de que era apenas uma parede de papel. Então, rimos do pânico que tivemos. É bom lembrar: muitos dos medos que nos acompanham são herdados, impostos ou nascem da falta de contato com a realidade.

BF – Como você explica que sua fábula esteja fazendo sucesso?
AR – O tema, no fundo, é o amor à vida. Só há um amor: o amor à vida. As outras formas são derivações desse sentimento que colocamos em nossos amigos, parceiros, filhos, pais, trabalho. E afortunado, afinal, não é conseguir carrões e posses, mas, ao fim da vida, poder dizer aos outros que viveu o que quis viver. Eu quero continuar falando desses temas por meio de histórias muito simples.

Agradecimento ao site Bons Fluídos por essa entrevista ;)

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