A Menina e o Quibungo


No tempo do quibungo, menino não podia sair à noite sozinho. O quibungo andava ao redor
das casas, gemendo: – hum! hum! hum! Quando encontrava algum menino, pegava para comer.
Havia uma mulher que tinha uma filha. A menina gostava muito de sair todas as noites para
andar abaixo e acima, pela casa dos parentes e dos vizinhos. A mãe dela sempre dizia:
– Minha filha, não saia de casa de noite, que o quibungo lhe pega e lhe come!...
A pequena, porém, que era muito teimosa e mal-ouvida, não se importava. Até que, uma noite, o quibungo agarrou-a, botou-a as costas, levando-a para comer. A menina pegou a cantar:

– Minha mãezinha,
Quibungo tererê,
Do meu coração,
Quibungo tererê,
Acudi-me depressa,
Quibungo tererê,
Quibungo quer me comê.


A mãe da menina respondeu:

– Eu bem te dizia,
Quibungo tererê,
Que não andasses de noite,
Quibungo tererê.


Ouvindo isso, ela chamou pelos demais de casa; mas ninguém quis acudir-lhe, respondendo todos
da mesma maneira. Lá se foi a pobrezinha chorando, nas costas do quibungo. Passou pela casa dos
outros parentes, e nenhum veio tomá-la das mãos do quibungo. Foi quando a avó ouviu aquela alaúza
do povo, correndo e gritando:
– O quibungo carregou fulana... É vem ele com fulana nas costas...
Aí, a velha correu mais que depressa, botou um tacho d'água no fogo para ferver e meteu um espeto
nas brasas. Quando foi chegando perto da casa da avó, a menina foi cantando:

– Minha avozinha, etc...

Respondeu a avó como os demais parentes haviam respondido. O quibungo, então, foi passando
muito satisfeito. A velha agarrou o tacho d'água fervendo, saiu atrás dele e – zás – sacudiu-lho nas
canelas. O quibungo deu um pinote muito grande, atirando a menina no chão. Foi quando a velha deu
de mão no espeto, que estava vermelho em brasa e fincou-lhe no pescoço, matando-o. Tomou a neta
para si e nunca mais deixou que ela fosse em casa dos pais. Também a menina não quis mais sair de
noite, para andar abaixo e acima.

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